Qual o melhor rolamento para motores elétricos industriais?

Na hora de escolher um rolamento para motor elétrico, encontrar uma peça com as medidas corretas é apenas parte do processo. Dois modelos do mesmo porte podem exigir soluções diferentes dependendo de como trabalham.

A rotação é uma dessas diferenças, mas não a única. A carga sobre o eixo, a temperatura e até a forma como o motor transmite movimento para a máquina interferem no que será exigido dos rolamentos.

Por isso, não existe um único modelo que possa ser considerado o melhor para todos os motores. Há diferentes tipos e configurações, cada um com características que atendem melhor a determinadas condições de trabalho.

Conhecer essas diferenças torna a escolha mais segura e ajuda a evitar problemas durante a operação. Para entender o que muda entre uma opção e outra, vale começar pelo papel que os rolamentos exercem dentro do motor.

O que os rolamentos fazem dentro de um motor elétrico?

Dentro do motor elétrico, o rotor precisa girar mantendo o eixo bem posicionado. Os rolamentos dão suporte a esse movimento e recebem os esforços que surgem enquanto o equipamento está em operação.

Essas cargas podem atuar em diferentes direções e variar conforme a construção do motor e a forma como ele está conectado à máquina. Por isso, os rolamentos instalados em cada posição nem sempre trabalham nas mesmas condições.

Além de permitir a rotação, eles ajudam a manter o alinhamento necessário entre as partes móveis e fixas do motor. Alterações nesse apoio podem aumentar vibrações, ruídos e interferir no funcionamento do conjunto.

É justamente essa função que faz com que a escolha dependa das características de cada motor. Antes de definir uma referência, é preciso entender quais esforços o rolamento terá de suportar e em quais condições irá trabalhar.

Quais tipos de rolamentos são mais utilizados em motores elétricos?

Motores elétricos podem utilizar diferentes tipos de rolamentos, e essa escolha varia conforme o porte e as exigências de cada aplicação. Entre as opções mais comuns estão:

Rolamentos rígidos de esferas

Os rolamentos rígidos de esferas são bastante utilizados em motores elétricos. Sua construção permite trabalhar em rotações elevadas e receber principalmente cargas radiais, além de cargas axiais dentro dos limites previstos para o modelo.

Por reunirem essas características em uma construção relativamente simples, aparecem em motores de diferentes tamanhos e aplicações. Ainda assim, a referência precisa ser compatível com as condições de trabalho do equipamento.

Rolamentos de rolos cilíndricos

Em motores que exigem maior capacidade para cargas radiais, os rolamentos de rolos cilíndricos podem ser uma alternativa. O formato dos elementos rolantes proporciona uma área de contato maior com as pistas em comparação às esferas.

Eles aparecem, por exemplo, em motores maiores ou em posições submetidas a esforços radiais mais elevados. Dependendo da configuração escolhida, também podem permitir o deslocamento axial necessário dentro do conjunto.

Rolamentos de contato angular

Há motores em que os esforços axiais têm uma participação maior durante o funcionamento. Nessas situações, os rolamentos de contato angular podem fazer parte da configuração utilizada para apoiar o eixo.

O desenho das pistas permite receber cargas radiais e axiais combinadas. Dependendo da aplicação, esses rolamentos podem ser utilizados individualmente ou em pares para atender à direção e à intensidade dos esforços presentes no motor.

O que deve ser considerado na escolha do rolamento?

Depois de conhecer os tipos mais utilizados, é preciso olhar para as condições do próprio motor. São elas que mostram qual construção e quais características fazem mais sentido para cada aplicação.

  • Rotação: cada rolamento possui limites de velocidade, e esse dado precisa ser compatível com a rotação atingida pelo motor.
  • Cargas: é importante saber quais esforços chegam ao eixo e se predominam cargas radiais, axiais ou uma combinação entre as duas.
  • Temperatura: o aquecimento durante a operação pode alterar a folga interna e também influencia a escolha da lubrificação.
  • Forma de acionamento: acoplamentos, polias e correias podem mudar os esforços transmitidos ao eixo e, consequentemente, aos rolamentos.
  • Ambiente de trabalho: poeira, umidade e outros contaminantes precisam ser considerados, principalmente na definição da vedação e da lubrificação.

Esses fatores devem ser analisados em conjunto. Olhar apenas para as dimensões ou para a capacidade de carga pode deixar de fora características que fazem diferença no funcionamento do motor.

Por que a folga interna do rolamento é importante em motores elétricos?

Mesmo antes de ser instalado, existe um pequeno espaço entre as partes internas do rolamento. Essa folga é necessária para que os elementos rolantes consigam trabalhar nas condições previstas para o componente.

O detalhe é que esse espaço pode mudar depois da montagem. O ajuste no eixo e no alojamento, além das diferenças de temperatura que surgem durante o funcionamento do motor, podem reduzir a folga disponível.

É nesse contexto que aparecem classificações como C3 e C4, que indicam folgas maiores que a normal. Em determinadas aplicações, elas são utilizadas justamente para compensar parte da redução que ocorre durante a montagem e a operação.

Isso não significa que todo motor elétrico precise de um rolamento C3. A folga deve ser escolhida de acordo com as condições reais da aplicação, já que utilizar uma classe inadequada também pode interferir no funcionamento e na vida útil do componente.

O que muda em motores acionados por correias?

Nos motores ligados diretamente à máquina por um acoplamento, os esforços sobre o eixo se comportam de uma maneira. Quando a transmissão utiliza polias e correias, uma nova força entra nessa conta: a tensão necessária para manter as correias trabalhando.

Essa tensão exerce uma carga radial sobre o eixo do motor e, consequentemente, sobre os rolamentos que o apoiam. Quanto maior o esforço da transmissão, maior pode ser a carga recebida nessa região.

A regulagem das correias também é importante. Uma tensão abaixo do necessário pode prejudicar a transmissão, enquanto o excesso aumenta desnecessariamente os esforços sobre eixo e rolamentos.

Por isso, em motores acionados por correias, a escolha do rolamento precisa considerar as cargas geradas por esse sistema. Além disso, a montagem e o ajuste correto da transmissão ajudam a evitar que o componente trabalhe sob esforços maiores do que o previsto.

Correntes elétricas podem danificar os rolamentos do motor?

Além dos esforços mecânicos, existe outro problema que pode atingir os rolamentos de alguns motores: a passagem de corrente elétrica por suas partes internas.

Isso pode acontecer, por exemplo, em determinadas aplicações com inversores de frequência. Se houver uma diferença de potencial entre o eixo e a carcaça, pequenas descargas podem atravessar o rolamento e atingir as pistas e os elementos rolantes.

Com o tempo, essas descargas podem deixar marcas nas superfícies e prejudicar o funcionamento do componente. O problema pode evoluir para aumento de ruído, vibração e desgaste antes do esperado.

Existem soluções desenvolvidas para reduzir esse risco, como rolamentos eletricamente isolados. A necessidade de utilizá-los, porém, depende das características do motor e do sistema em que ele está instalado.

Quais sinais podem indicar problemas nos rolamentos do motor?

Um rolamento dificilmente pode ser avaliado apenas pelo tempo que está instalado no motor. Mudanças no comportamento do equipamento costumam trazer informações mais úteis sobre o que está acontecendo durante a operação.

Ruídos que não existiam antes, aumento de vibração e temperatura acima do padrão são alguns sinais que merecem atenção. Em situações mais avançadas, também podem aparecer alterações na estabilidade do eixo e no funcionamento do motor.

Esses sinais não significam necessariamente que o rolamento seja a origem do problema. Desalinhamentos, lubrificação inadequada e outros componentes do conjunto podem provocar sintomas semelhantes.

Por isso, perceber uma mudança é o começo da investigação, e não o diagnóstico. Avaliar o motor antes que o problema avance ajuda a identificar a causa e definir se o rolamento realmente precisa ser substituído.

Onde encontrar rolamentos para motores elétricos industriais?

Escolher um rolamento para motor elétrico exige mais do que encontrar uma referência com as medidas corretas. Como vimos, rotação, cargas, folga interna e até a forma de acionamento podem mudar o que cada aplicação precisa.

Na reposição, a referência original costuma ser um bom ponto de partida. Caso seja necessário buscar um equivalente, é importante conferir suas características para garantir que a nova opção seja adequada à posição e às condições de trabalho do motor.

A Rolport trabalha com rolamentos para motores elétricos industriais de marcas como SKF, NSK, FAG, Timken e NTN, além de auxiliar na identificação de referências e equivalências.

Precisa encontrar um rolamento para o seu motor elétrico? Entre em contato com a equipe da Rolport e consulte as opções disponíveis para a sua aplicação.